Saíste, porta fora, e tudo o que ficou foram vestígios de ti.
Vestígios esses que também se foram desvanecendo, como se sem ti não conseguissem sobreviver. Como se sem ti não tivessem razão de ser.
São os passos, cada vez mais silenciosos. É como se me quisessem gritar para onde vão. E eles vão me preparando para a tua ausência, deixando-me um pouco de ti por uns minutos. Depois, como se eles soubessem que lamento a tua ausência, vão se despedindo devagarinho, num sussurro cada vez mais distante.
É nesse momento, nesse sussurro, que me preparo para o vazio –Silêncio.
Mas depois, apercebo-me do teu cheiro a flutuar por entre mim. Tento agarrar-me a mais esse pouco de ti. E aí, ele envolve-me.
Nesse momento, se eu fechar os olhos, é quase como se aqui estivesses. E só com essa ideia da tua presença percorre em mim um arrepio. Abro os olhos – Ausência.
Percorro o quarto com os olhos. Procuro mais um pouco de ti – Vazio.
E eu quero mais. Quero te sentir mais. Quero te viver mais. Quero te amar mais.
Não te tendo, recordo-te. Sempre que não te tenho, recordo-te.
E é assim que vais vivendo comigo. Enquanto me visto, enquanto percorro as ruas – Tu vives comigo.
É ao agarrar-me ao teu pensamento que nasce em mim um sorriso constante – ele nasce no coração e vem viver para os meus lábios.
Ninguém sabe, mas esse sorriso és tu em mim.


